
Em cinco dias exploramos as melhores trilhas, cachoeiras e formações rochosas da Serra do Roncador, com base em Barra do Garças (MT). Neste guia relato passo a passo nosso roteiro, horários, distâncias, cuidados de segurança, dicas práticas (o que levar, alimentação, equipamentos) e recomendações de restaurantes e hospedagem.
Introdução — por que a Serra do Roncador merece sua viagem
A Serra do Roncador, em Mato Grosso, é um destino para quem procura contato intenso com a natureza: cânions, quedas d’água de tons azuis e verdes, paredões com ninhos de araras e formações rochosas únicas. Planejamos cinco dias que equilibram trilhas de diferentes níveis, travessias aquáticas e mirantes para fotografia e drone. Neste artigo reunimos tudo: roteiro diário, logística, riscos, dicas práticas e recomendações reais do que funcionou para nosso grupo.
Dia 1 — Cachoeira Azul, Arco de Pedra e as formações da Serra

Saímos às 6h30 e, após 1 hora de estrada, chegamos à Fazenda Recanto da Serra, sede responsável por várias trilhas. A trilha até a Cachoeira Azul tem ~2 km e levou cerca de 40 minutos. É de baixo grau de dificuldade e bastante sombreada — ideal para famílias: um integrante do nosso grupo tem 77 anos e concluiu a trilha sem problemas.
No local, o poço tem duas tonalidades (verde claro e escuro), indicando profundidades. A água é gelada e as pedras ao redor escorregam — atenção redobrada. Almoçamos e depois seguimos até o Arco de Pedra (≈100 km do estacionamento da cachoeira; 25 km de estrada de chão). O mirante exige caminhada curta (~50 m) e rende ótimas fotos e vídeos com drone.
Pontos práticos do Dia 1
- Chegar cedo para evitar multidões.
- Levar água e comida (não há comércio nas trilhas).
- Calçado adequado e perneiras recomendadas.
- Guia local é recomendado para segurança.
Dia 2 — Poço Azul (topo), Cachoeira do Portal, Cachoeira Esmeralda e Cachoeira Perdida

Saímos às 7h30 e retornamos à Recanto da Serra. Desta vez subimos até o Poço Azul (topo da Cachoeira Azul): a área permite flutuação em águas cristalinas — o poço é muito profundo, então usamos coletes. Em seguida nadamos rio acima até a Cachoeira do Portal e subimos por uma escada de ferro até a Cachoeira Esmeralda; o poço tem tom esmeralda impressionante. Voltamos ao Poço Azul e seguimos para a Cachoeira Perdida, uma trilha curta sobre pedras molhadas.
O que foi importante neste dia
- Levamos sapatos aquáticos (sapatilhas). Se não tiver, meias grossas podem substituir em travessias curtas.
- Deixamos mochilas secas na margem do Poço Azul quando fizemos travessia nadando.
- Pessoas idosas e crianças podem participar desde que acompanhadas e com equipamentos (colete, guia).
- Recomendamos chegar de manhã para aproveitar a luz.
Dia 3 — Cânion do Cipó, Cachoeira dos Amigos e Cachoeira do Sossego

Saímos às 7h rumo à Estância Favo de Mel. A trilha até o Cânion do Cipó tem ~4 km (ida), com subidas/descidas, pedras molhadas e várias travessias. Encontramos duas cobras não peçonhentas — o uso de perneiras provou ser uma grande vantagem. O cânion tem água azul-turquesa; no final do percurso visitamos a Cachoeira dos Amigos (poço azul intenso) e, depois, a Cachoeira do Sossego, um desvio curto e recompensador.
O retorno até o estacionamento durou cerca de 2 horas com paradas. Foi um dia longo e de maior esforço físico — prepare-se.
Dicas do Dia 3
- Levar 1,5 L ou mais de água por pessoa; repor em nascentes quando possível.
- Tenha boa condição física; caminhe em ritmo confortável.
- Tire fotos com drone em áreas abertas; respeite aves e guias locais.
Dia 4 — Cachoeira da Samambaia e Santuário das Araras

Saímos cedo e fizemos a trilha até a Cachoeira da Samambaia (grupo de 8 pessoas); percurso levou ~2 horas. A grande atração do dia foi o Santuário das Araras: um imenso paredão com ninhos de araras-vermelhas e um poço azul ao pé do paredão — cenário perfeito para fotos e drone (use-o com responsabilidade — o barulho pode perturbar as aves).
Almoçamos na sede da fazenda (por volta das 16–17h). Neste horário aumentam os mosquitos; levar repelente é essencial. Dica de segurança: use perneiras com calças compridas para evitar irritações por atrito e proteger contra insetos, plantas e animais peçonhentos.
Dia 5 — Cachoeira do Sol Nascente e retorno a Cuiabá

Último dia: saímos às 8h após check-out. A trilha até a Cachoeira do Sol Nascente foi curta (~1,5 km, 40 minutos). A cachoeira está em uma espécie de caverna, com paredes cheias de andorinhas e um poço de coloração azul muito bonita — mesmo sem sol direto, o visual é espetacular. Almoçamos na sede da Estância Favo de Mel e iniciamos a viagem de volta para Cuiabá às 14h, chegando por volta das 21h (distância > 500 km).
Dicas práticas e checklist (o que levar)
Água & alimentação
- Levar pelo menos 1,5 L por pessoa por dia (mais em trilhas longas e em sol).
- Leve lanches (frutas, barras, sanduíches) — não há comércio nas trilhas.
Vestuário & proteção
- Calçado apropriado para trilha + sapatilhas aquáticas.
- Perneiras + calças compridas (evitam irritação/feridas e protegem de cobras/insetos).
- Chapéu, óculos de sol, protetor solar.
- Repelente (especialmente no fim da tarde).
Segurança aquática
- Coletes de flutuação para poços profundos.
- Evitar nadar sozinho; seguir orientações do guia.
- Prender pertences em mochilas impermeáveis ou deixá-los em local seguro.
Outros
- Dinheiro em espécie (pode não haver POS nas fazendas).
- Bateria extra para celular e drone; powerbank.
- Capa ou saco plástico para proteger eletrônicos.
- Kit básico (band-aids, antisséptico, analgésico).
Logística essencial
- Base: Barra do Garças (MT). Há opções de hospedagem simples e restaurantes locais.
- Transporte: carro 4×2 geralmente suficiente, mas estradas de chão podem exigir atenção.
- Guias e fazendas: as trilhas têm saídas por fazendas (Recanto da Serra, Estância Favo de Mel). Contratar guia local aumenta segurança e informação.
- Melhor época: época seca facilita trilhas (menos lama), mas se você busca água mais azul e sol a pino, escolha meses mais secos com sol mais intenso. (baseado na experiência do nosso grupo em início de junho — trilhas mais fáceis e menos lama)
Restaurantes e experiências gastronômicas que experimentamos
- Casarão (Barra do Garças) — pintado assado (porção para 4), entradas: bolinho de costela e dadinho de tapioca.
- Kanoa (com K) — pintado ao molho (serve até 3), opções de filé de frango/peixe.
- Tucunaré na Telha — restaurante flutuante sobre o Rio Araguaia; prato Tucunaré na Telha serve bem duas pessoas.
Acessibilidade — idosos e crianças
Pelo que vivenciamos:
- Muitas trilhas são possíveis para idosos com bom condicionamento (nosso integrante de 77 anos fez a maioria das trilhas). Ajuste ritmo, faça paradas e prefira trechos mais curtos quando necessário.
- Crianças podem participar desde que acompanhadas pelos pais e com colete quando houver travessia aquática.
Perguntas frequentes (FAQ)
É perigoso?
Com equipamento adequado, guia e atenção às recomendações (colete, perneiras, não se aproximar de precipícios), o risco é reduzido. Evite improvisações em locais profundos.
Preciso de guia?
Recomendável — guias locais conhecem o terreno, pontos de reabastecimento e seguros naturais.
Há sinal de celular?
Em muitas trilhas o sinal é fraco ou inexistente. Planeje com antecedência.
Posso levar drone?
Sim — ótimo para imagens, mas evite incomodar aves e siga regras locais; mantenha baixo quando próximo a ninhos.
Conclusão — por que vale a pena?
A Serra do Roncador é um destino para quem busca natureza intocada, trilhas variadas e paisagens de águas azuis e verdes. Em cinco dias encontramos experiências para todos os gostos: caminhadas fáceis e moderadas, travessias aquáticas, cânions e mirantes espetaculares. Com planejamento, equipamento adequado e respeito à natureza, é uma viagem inesquecível — perfeita para famílias, grupos de amigos e amantes do ecoturismo. Se gostou do roteiro ou do conteúdo, compartilhe este artigo e deixe um comentário.
